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Denim: A indústria com mais de 100 anos de história

By 27 de Abril, 2022No Comments

Na indústria da moda, o denim é, sem dúvida, o tecido mais emblemático, constituindo, nos dias de hoje, um importante e indispensável acessório em qualquer guarda-roupa.

 

Mas afinal, que história existe por detrás da indústria do denim?

De origem francesa, a palavra “denim” faz referência ao tecido de sarja em algodão, usado no fabrico de jeans e outros acessórios de roupa. Este provém da cidade de Nimes, uma das cidades francesas considerada mais importante para o setor têxtil. A ganga, quando tramada e enrolada, torna-se o rolo de tecido cujos fios são tingidos de índigo, seguido por um processo de foulardagem – um sistema de impregnação de substâncias químicas têxteis nos tecidos – e de oxidação ao ar, responsáveis por originar a cor azul no tecido.

A história do denim remete para meados do século XIX, mais concretamente para 1 de maio de 1853, quando o imigrante alemão Levi Strauss fundou a Levi Strauss & Co., em São Francisco, tornando-a na primeira marca de jeans de todos os tempos e uma referência a nível mundial. Passados 20 anos, a 20 de maio de 1873, o alfaiate Jacob Davis e o seu fornecedor de tecidos Levi Strauss, patentearam os tradicionais jeans hoje conhecidos por “Levi 501”, nos Estados Unidos.

Mais tarde, durante as décadas de 1920 e 1930, os jeans começaram a ganhar destaque e a aparecer em filmes de cowboys por celebridades conhecidas de Hollywood, tais como, James Dean e Marlon Brando. Desde então, mulheres, homens e crianças começaram a usar jeans como roupas casuais, pelo seu conforto associado. O ano de 1935 marcou o momento em que a Revista Vogue publicou a sua primeira edição, usando uma modelo vestida com uns jeans. Em 1950, os estilos mais populares de jeans incluíam lavagens leves, jeans com punhos e jeans pretos, destacando-se a Levi’s, Lee Cooper e Wrangler como marcas dominantes. A partir do final desta década, os jeans foram associados à rebeldia, individualidade e auto-expressão.

A década de 1960 marcou o início da era hippie, com os jeans a representar um símbolo de liberdade. Já na década de 1970, os jeans passaram a simbolizar a herança cultural americana. Um dos looks de jeans mais proeminentes e considerados tendência, durante este período, foram os jeans rasgados, popularizados por bandas de punk rock. Para além disso, esta época marcou a popularização de saias e coletes de ganga.

A década de 1980, marcou a época do surgimento dos jeans de estilo mais largo, escolhidos essencialmente por artistas de hip hop, e ainda dos jeans em formato skinny, escolhidos por artistas de punk rock e heavy metal. Nesta época, marcas como Calvin Klein, Jordache e Gloria Vanderbilt foram consideradas de eleição. Mais tarde, na década de 1990, começaram a surgir as jardineiras, com vários bolsos e abas, tendo-se assistido a uma popularização de macacões, sobretudo entre as mulheres mais jovens e de jeans largos para os homens. Esta época também ficou marcada pelo surgimento do “boot cut”, um estilo de jeans mais fino e subtil, adequado para uso diário e do JNCO, um estilo de jeans extremamente largos da cintura para baixo.

Chegando aos anos 2000, estrelas do pop como Britney Spears e Christina Aguilera ajudaram a popularizar os jeans de cintura baixa. Este período ficou ainda marcado por uma popularização dos skinny jeans, um modelo concebido através de inovações na tecnologia de denim stretch. Durante este período, a cultura diversificou- se e as pessoas começaram a decorar e personalizar os seus jeans com padrões, estampados e bordados, permitindo uma expressão dos seus estilos pessoais, de forma criativa – os jeans DIY tornaram-se oficialmente parte integrante da moda denim.

A década de 2010 assistiu ao regresso dos jeans de cintura alta, jeans largos e jeans retos, com os skinny jeans a perder expressão. Este foi um ano igualmente marcado por uma crescente preocupação, por parte das marcas, em respeitar uma produção mais consciente a nível ambiental.

À medida que nos aproximamos de uma nova década, a pergunta que se instala é “Qual será o futuro do denim?”.

Tendo em conta a crescente mudança no comportamento dos consumidores para hábitos de compra mais conscientes e sustentáveis, é certo que o futuro do clássico jeans azul permanecerá verde no espírito e um clássico de moda verdadeiramente intemporal.

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